– Agora vamos contar até doze e todos ficaremos em silêncio.
– Pela primeira vez na Terra, não vamos falar em nenhuma língua;
por um segundo vamos parar, não vamos mexer tanto os braços.
– Seria um minuto delicioso sem pressa, sem locomotivas;
estaríamos todos juntos em um desconforto instantâneo.
– Os pescadores do mar frio eles não machucariam as baleias
e o trabalhador do sal olharia para suas mãos machucadas.
– Aqueles que preparam guerras verdes, guerras de gás, guerras de fogo,
vitórias sem sobreviventes, iriam colocar roupas limpas
e caminhariam ao lado de seus irmãos na sombra, sem fazer nada.
– O que quero não deve ser confundido com a inatividade final:
vida por si só é o que importa, não quero ter nada a ver com a morte.
– Se não pudéssemos ser unânimes sobre como manter nossas vidas em
movimento, e por uma vez nada puderem fazer, talvez um grande silêncio
iria interromper esta tristeza, de nunca nos termos compreendido
e ameaçando-nos com a morte.
Talvez a Terra nos possa ensinar e mais tarde provar-nos que está viva.
> Agora vou contar até doze e você ficará em silêncio e eu irei.
Pablo Neruda, “Keeping Quiet”